HISTÓRIA DO CONSULTÓRIO
Os Primeiros Passos
Este consultório iniciou a atividade clínica pela mão do Dr. Jorge Leão Miranda, médico psiquiatra oriundo de terras de São Joaninho, concelho de Santa Comba Dão, local onde nasceu no ano de 1921. Anos mais tarde, em 1947, obteve a licenciatura pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, e no final da década de 50 mudou-se para a cidade de Lisboa para continuar a formação.
Nessa altura, o Hospital Miguel Bombarda continuava a ser uma referência na formação psiquiátrica, num período em que começavam a surgir os primeiros psicofármacos no tratamento da doença mental. No entanto, o ensino da Psiquiatria procurava preservar a tradição Psiquiátrica Germânica, enraizada no estudo fenomenológico da psicopatologia (Kraeplin, Bleuler, Jaspers, Schneider, Minkowski, Binswanger, …), e incorporar os conceitos e as práticas que derivavam da Psicanálise de Sigmund Freud (Pichot & Fernandes, 1984). Foi nesse contexto que terminou, em 1962, o internato tendo obtido o grau de Especialista em Psiquiatria, reconhecido pela Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria.
A Génese do Consultório
Nas décadas de 60 e 70 a Psiquiatria voltava-se para a comunidade e para fora dos muros dos Hospitais Psiquiátricos. Foi no ano de 1971 que o Dr. Jorge Leão Miranda iniciou a sua prática privada em conjunto com o Dr. Silveira Rodrigues e com o Dr. Aboim Borges, num consultório que se situava junto da Praça dos Restauradores (edifício que mais tarde deu lugar ao Libersil).
Cerca de três anos mais tarde, em plena revolução de 1974, deparam-se com um anúncio numa Revista Médica que apresentava um espaço que se situava algumas ruas a norte na Avenida da Liberdade, e para onde viriam a mudar a sua prática clínica. Foram recebidos, pelo ilustre Dr. Xavier de Brito, num Edifício com uma longa história ligada à saúde em Portugal, partilhando os gabinetes em que outrora o Dr. Fernando Fonseca e o Dr. Anastácio Gonçalves se dedicaram aos seus pacientes e à Medicina.
O Edifício foi construído no ano de 1906 e desenhado pelo Arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior. Mas desde os anos 30, que as paredes do 202 se habituaram ao diálogo clínico entre os médicos e seus doentes. “Durante décadas, o consultório de Fonseca, no 202 da Avenida da Liberdade, era o ponto de encontro de todas as desventuras. Físicas, morais, intelectuais e políticas” (p. 277), das sessões de trabalho com os seus discípulos e local onde recebia os seus doentes, desde o Presidente da República à varina da Rua de S. Paulo (Botelho & Xavier de Brito, 2004). Foi nesse espaço que este consultório teve a honra de se instalar, procurando preservar e corresponder à sua dimensão histórica.
No Manicómio de Rilhafoles
Em 1980, planeou e organizou o I Simpósio sobre Urgências Psiquiátricas que se realizou no Vimeiro, tendo este sido presidido pelo “amigo e colega de trabalho de muitos anos” (Amaro, 1985, p. XXXIX), o Professor Eduardo Luís Cortesão. Esta iniciativa do Hospital Miguel Bombarda promoveu o encontro e o diálogo entre ilustres colegas, tendo em vista a reflexão sobre a necessidade de uma resposta diferenciada dos Serviços de Saúde ao sofrimento individual agudo e na assistência à população. Na sessão de encerramento o Dr. Jorge Leão Miranda partilhou o desejo de que as conclusões do Simpósio se pudessem constituir como “uma importante achega para que as estruturas responsáveis pelos problemas de Saúde em Portugal possam avançar com reformas e medidas que se impõem para uma melhoria dos serviços e consequentemente para uma melhoria da assistência à nossa população. Oxalá possamos voltar a reencontrar-nos porque, certamente, com este tipo de diálogo e reflexão a ciência, a arte médica e a própria dimensão humana que servimos poderá aduzir foros de autenticidade” (Amaro, 1985, p. LVII).
Três anos mais tarde assumiria as responsabilidades como Diretor do Hospital Miguel Bombarda e daria o seu contributo na reorganização dos serviços de cuidados de saúde mental, promovendo uma gestão mais racional e um atendimento hospitalar mais eficaz e abrangente (Reis de Oliveira, 1983; Cintra, 2012).
Atualidade
Na década de 90 uma nova geração assegurou a continuidade e projetou o futuro. O médico psiquiatra Luís Leão Miranda terminou o internato no Hospital Miguel Bombarda em 1988, e desde então desenvolve o seu trabalho no consultório com grande profissionalismo, empenho e dedicação, caracterizado pela disponibilidade e cuidado na escuta do paciente. Em 2008 viu o seu esforço reconhecido, e foi nomeado Diretor Clínico da Casa de Saúde da Idanha, deixando o seu cunho pessoal, através do respeito, afeto e humanidade, para com todos os doentes e colaboradores da Instituição.
Nesse mesmo ano, Filipe Leão Miranda juntou-se ao consultório como Psicólogo Clínico, introduzindo uma nova dinâmica de gestão, uma complementaridade terapêutica e um olhar distinto sobre o psiquismo humano.
Ao longo de uma década a equipa foi crescendo nas áreas da Psiquiatria e da Psicologia, investindo na formação especializada em Psicoterapia, Neuropsicologia e Psicanálise. Contamos na Psicologia Clínica com Elisabete Moutinho, e na Psiquiatria com Ciro Oliveira e Ana Luís Falcão que partilham entre si a experiência enriquecedora do Hospital Júlio de Matos.
Desde a sua génese, este espaço clínico procura oferecer aos seus pacientes uma resposta terapêutica diferenciada e personalizada para o sofrimento de natureza psíquica e para a doença mental. Com o intuito de promover serviços de maior qualidade e eficácia, o seu corpo clínico procura manter-se sempre atualizado, investindo na sua formação especializada, acompanhando os diferentes desenvolvimentos na área da saúde mental e dos seus métodos terapêuticos.
Referências:
Amaro, F. (1985). I Simpósio Nacional sobre Urgências em Psiquiatria – Vimeiro 1980. Hospital Miguel Bombarda.
Botelho, L. S. & Xavier de Brito, J. P. (2004). Fernando Fonseca – Memória de um Médico Ilustre. Âncora Editora.
Cintra, P. (2012). Miguel Bombarda – Preservar a Memória. Casa das Letras.
Pichot, P. & Fernandes, B. (1984). Um Século de Psiquiatria e A Psiquiatria em Portugal. Roche.
Reis de Oliveira, J. F. (1983). Rilhafoles e a Acção do Professor Miguel Bombarda. Hospital Miguel Bombarda.
Fotografia da Praça dos Restauradores: Fotógrafo Estúdio Horácio Novais // Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian
Os Primeiros Passos
Este consultório iniciou a atividade clínica pela mão do Dr. Jorge Leão Miranda, médico psiquiatra oriundo de terras de São Joaninho, concelho de Santa Comba Dão, local onde nasceu no ano de 1921. Anos mais tarde, em 1947, obteve a licenciatura pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, e no final da década de 50 mudou-se para a cidade de Lisboa para continuar a formação.
Nessa altura, o Hospital Miguel Bombarda continuava a ser uma referência na formação psiquiátrica, num período em que começavam a surgir os primeiros psicofármacos no tratamento da doença mental. No entanto, o ensino da Psiquiatria procurava preservar a tradição Psiquiátrica Germânica, enraizada no estudo fenomenológico da psicopatologia (Kraeplin, Bleuler, Jaspers, Schneider, Minkowski, Binswanger, …), e incorporar os conceitos e as práticas que derivavam da Psicanálise de Sigmund Freud (Pichot & Fernandes, 1984). Foi nesse contexto que terminou, em 1962, o internato tendo obtido o grau de Especialista em Psiquiatria, reconhecido pela Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria.
A Génese do Consultório
Nas décadas de 60 e 70 a Psiquiatria voltava-se para a comunidade e para fora dos muros dos Hospitais Psiquiátricos. Foi no ano de 1971 que o Dr. Jorge Leão Miranda iniciou a sua prática privada em conjunto com o Dr. Silveira Rodrigues e com o Dr. Aboim Borges, num consultório que se situava junto da Praça dos Restauradores (edifício que mais tarde deu lugar ao Libersil).
Cerca de três anos mais tarde, em plena revolução de 1974, deparam-se com um anúncio numa Revista Médica que apresentava um espaço que se situava algumas ruas a norte na Avenida da Liberdade, e para onde viriam a mudar a sua prática clínica. Foram recebidos, pelo ilustre Dr. Xavier de Brito, num Edifício com uma longa história ligada à saúde em Portugal, partilhando os gabinetes em que outrora o Dr. Fernando Fonseca e o Dr. Anastácio Gonçalves se dedicaram aos seus pacientes e à Medicina.
O Edifício foi construído no ano de 1906 e desenhado pelo Arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior. Mas desde os anos 30, que as paredes do 202 se habituaram ao diálogo clínico entre os médicos e seus doentes. “Durante décadas, o consultório de Fonseca, no 202 da Avenida da Liberdade, era o ponto de encontro de todas as desventuras. Físicas, morais, intelectuais e políticas” (p. 277), das sessões de trabalho com os seus discípulos e local onde recebia os seus doentes, desde o Presidente da República à varina da Rua de S. Paulo (Botelho & Xavier de Brito, 2004). Foi nesse espaço que este consultório teve a honra de se instalar, procurando preservar e corresponder à sua dimensão histórica.
No Manicómio de Rilhafoles
Em 1980, planeou e organizou o I Simpósio sobre Urgências Psiquiátricas que se realizou no Vimeiro, tendo este sido presidido pelo “amigo e colega de trabalho de muitos anos” (Amaro, 1985, p. XXXIX), o Professor Eduardo Luís Cortesão. Esta iniciativa do Hospital Miguel Bombarda promoveu o encontro e o diálogo entre ilustres colegas, tendo em vista a reflexão sobre a necessidade de uma resposta diferenciada dos Serviços de Saúde ao sofrimento individual agudo e na assistência à população. Na sessão de encerramento o Dr. Jorge Leão Miranda partilhou o desejo de que as conclusões do Simpósio se pudessem constituir como “uma importante achega para que as estruturas responsáveis pelos problemas de Saúde em Portugal possam avançar com reformas e medidas que se impõem para uma melhoria dos serviços e consequentemente para uma melhoria da assistência à nossa população. Oxalá possamos voltar a reencontrar-nos porque, certamente, com este tipo de diálogo e reflexão a ciência, a arte médica e a própria dimensão humana que servimos poderá aduzir foros de autenticidade” (Amaro, 1985, p. LVII).
Três anos mais tarde assumiria as responsabilidades como Diretor do Hospital Miguel Bombarda e daria o seu contributo na reorganização dos serviços de cuidados de saúde mental, promovendo uma gestão mais racional e um atendimento hospitalar mais eficaz e abrangente (Reis de Oliveira, 1983; Cintra, 2012).
Atualidade
Na década de 90 uma nova geração assegurou a continuidade e projetou o futuro. O médico psiquiatra Luís Leão Miranda terminou o internato no Hospital Miguel Bombarda em 1988, e desde então desenvolve o seu trabalho no consultório com grande profissionalismo, empenho e dedicação, caracterizado pela disponibilidade e cuidado na escuta do paciente. Em 2008 viu o seu esforço reconhecido, e foi nomeado Diretor Clínico da Casa de Saúde da Idanha, deixando o seu cunho pessoal, através do respeito, afeto e humanidade, para com todos os doentes e colaboradores da Instituição.
Nesse mesmo ano, Filipe Leão Miranda juntou-se ao consultório como Psicólogo Clínico, introduzindo uma nova dinâmica de gestão, uma complementaridade terapêutica e um olhar distinto sobre o psiquismo humano.
Ao longo de uma década a equipa foi crescendo nas áreas da Psiquiatria e da Psicologia, investindo na formação especializada em Psicoterapia, Neuropsicologia e Psicanálise. Contamos na Psicologia Clínica com Elisabete Moutinho, e na Psiquiatria com Ciro Oliveira e Ana Luís Falcão que partilham entre si a experiência enriquecedora do Hospital Júlio de Matos.
Desde a sua génese, este espaço clínico procura oferecer aos seus pacientes uma resposta terapêutica diferenciada e personalizada para o sofrimento de natureza psíquica e para a doença mental. Com o intuito de promover serviços de maior qualidade e eficácia, o seu corpo clínico procura manter-se sempre atualizado, investindo na sua formação especializada, acompanhando os diferentes desenvolvimentos na área da saúde mental e dos seus métodos terapêuticos.
Referências:
Amaro, F. (1985). I Simpósio Nacional sobre Urgências em Psiquiatria – Vimeiro 1980. Hospital Miguel Bombarda.
Botelho, L. S. & Xavier de Brito, J. P. (2004). Fernando Fonseca – Memória de um Médico Ilustre. Âncora Editora.
Cintra, P. (2012). Miguel Bombarda – Preservar a Memória. Casa das Letras.
Pichot, P. & Fernandes, B. (1984). Um Século de Psiquiatria e A Psiquiatria em Portugal. Roche.
Reis de Oliveira, J. F. (1983). Rilhafoles e a Acção do Professor Miguel Bombarda. Hospital Miguel Bombarda.
Fotografia da Praça dos Restauradores: Fotógrafo Estúdio Horácio Novais // Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian